Rick Azevedo acredita que vitória contra 6x1 permitirá mais avanços

Houve um tempo em que o exaustivo ciclo de seis dias seguidos de labuta parecia uma sentença imutável, uma engrenagem que moía sonhos e consumia o tempo antes mesmo que ele pudesse ser sentido. A rotina do balconista de farmácia, que conheci através de um desabafo gravado, tornou-se o espelho de milhões de brasileiros. Rick Azevedo, ao verbalizar a angústia de quem vivia sob a sombra dessa escravidão moderna, não apenas narrou o cansaço, mas deu início a um movimento que transbordou das telas para as ruas e, finalmente, para os corredores do poder em Brasília.

O que vimos na Câmara dos Deputados foi mais do que uma contagem de votos; foi a capitulação de um sistema de trabalho que ignorava o relógio biológico e a convivência familiar. Com a aprovação da PEC que extingue a escala 6x1, reduzindo a jornada para 40 horas semanais e garantindo dois descansos, a política parece ter, finalmente, reencontrado a sua função de traduzir o clamor das calçadas em direitos garantidos por lei. O placar esmagador no segundo turno não deixa dúvidas de que a maré mudou.

Agora, o olhar se volta para o Senado e para figuras como Davi Alcolumbre, o presidente da Casa. O clima é de expectativa e cobrança, uma pressão que não quer deixar o ímpeto esfriar. Para Azevedo, que transformou a própria trajetória de vendedor e frentista em plataforma legislativa no Rio de Janeiro, esse passo é apenas o início de uma reconfiguração do tempo de vida do trabalhador. Ele sabe que a conquista na Câmara é a prova de que a mobilização coletiva, quando organizada, é capaz de derrubar muros que pareciam de concreto armado.

Olhando para trás, a jornada de três anos, desde a indignação solitária até a vitória legislativa, nos lembra que certas estruturas só se movem quando a sociedade decide que o custo da permanência é alto demais. A promessa de um tempo livre, de um domingo que seja de fato de descanso, aponta para uma sociedade que começa a valorizar a qualidade do viver tanto quanto a produtividade das horas. A estrada até o Senado está aberta, e o movimento, agora fortalecido pela marca das urnas e pelo apoio da deputada federal Erika Hilton, mantém a vigilância de quem não aceita mais retrocessos.

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