Os estupros também aumentaram no estado, chegando a 1.328 registros em abril. O número revela aumento de 13% em relação a abril do ano passado, quando houve 1.174 vítimas desse tipo de crime.
Também cresceram os casos de agressão física no estado. Os registros de lesão corporal dolosa contra mulheres aumentaram 24%, chegando a 6.508 casos em abril. São 1.268 casos a mais do que em abril do ano passado.
Os registros de descumprimento de medida protetiva de urgência, no contexto da violência doméstica, somaram 2.345 ocorrências em abril deste ano. O número revela uma alta de 23,5% em relação ao mesmo período do ano passado, quando houve 1.899 registros.
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Olho para os números recém-saídos dos sistemas da Secretaria da Segurança Pública e sinto o peso frio da aritmética aplicada ao trauma. Não são apenas colunas de tabelas ou variações percentuais que oscilam como um pêndulo; são rostos, histórias interrompidas e medos que ganham corpo nas estatísticas de um abril que insistiu em ser mais violento do que o anterior. A cidade, em sua imensidão, parece tragar o silêncio de quem teve a vida subtraída ou o corpo violado, deixando apenas o rastro seco de um boletim de ocorrência.
Há algo de profundamente amargo em ver que, enquanto discutimos planos e políticas, o cotidiano das mulheres em São Paulo torna-se um campo minado de proporções crescentes. O aumento das lesões corporais e a ascensão nas tentativas de homicídio desenham um status quo onde o lar, em vez de refúgio, assume a faceta de um cenário de perigo constante. Quando o descumprimento de uma medida protetiva escala para números tão expressivos, percebemos que o papel da lei, por vezes, carece da força necessária para proteger quem dela depende.
Refletir sobre esses dados não é um exercício de conformismo, mas de espanto. São mais de seis mil casos de agressão em um único mês, uma marca que deveria provocar um sobressalto na consciência coletiva. Existe uma engrenagem invisível que insiste em girar na contramão da segurança, permitindo que a violência doméstica se torne uma constante assustadora. O desafio não é apenas tabular o aumento ou a queda de homicídios e estupros, mas encarar o esvaziamento do pacto de proteção que sustenta a civilidade.
Por fim, resta-nos a pergunta amarga sobre o que torna essas vidas tão vulneráveis às sombras da estatística. A estabilidade do feminicídio, comparada ao crescimento acelerado das tentativas de homicídio, parece apenas um detalhe técnico diante da gravidade do fenômeno. Estamos diante de uma crise de convivência ou de uma falha crônica no cuidado? Enquanto os números sobem, a nossa tarefa como sociedade é não permitir que a frieza dos gráficos apague a urgência de um problema que, embora medido em abril, sangra em todos os dias do calendário.
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