Como um país que odeia pessoas LGBTs está lucrando com a cultura queer

Nós vemos os leques, coloridos e vibrantes, estampados nas propagandas da Copa do Mundo, nos grandes festivais de verão, adornando o cotidiano de uma forma quase onipresente. É a bandeira do arco-íris, ou sua estética, virando mercadoria. Um sopro de ar fresco, talvez, em um mundo que às vezes parece respirar com dificuldade.

Mas, cá entre nós, fico a matutar sobre a ironia que permeia essa explosão de cores no mercado. Como um país, ou qualquer entidade que seja, pode abraçar tão fervorosamente a cultura queer em suas vitrines e campanhas publicitárias, enquanto, nas entrelinhas, perpetua ou permite a hostilidade contra as pessoas que vivem essa mesma cultura?

É uma esquizofrenia mercadológica, não acham? De um lado, o lucro fácil que advém da apropriação de um estilo, de uma identidade que se tornou cool, descolada, vendável. Do outro, a realidade dura de quem carrega essa identidade na pele, enfrentando preconceito, discriminação e, em muitos casos, violência.

Pergunto-me, então: quantos dos rostos reais, das vozes autênticas da comunidade LGBTQ+, estão verdadeiramente por trás dessas campanhas multimilionárias? Ou seriam apenas os seus símbolos, despojados de qualquer significado político ou social, transformados em mais um item de consumo na prateleira do capitalismo global?

A cultura queer, outrora marginalizada e subversiva, hoje desfila nos comerciais e festivais, embalada por discursos de diversidade. Mas essa diversidade é genuína, ou apenas mais uma estratégia de marketing, um véu colorido sobre a dura realidade de que, para muitos, ser quem se é continua sendo um ato de coragem diária, bem distante dos flashes e do papel brilhante das revistas?

Fica o questionamento, flutuando como os leques na brisa da propaganda: até que ponto a aceitação vira conveniência, e o lucro se sobrepõe à luta por direitos e dignidade? A bandeira está no ar, sim. Mas será que ela representa a liberdade de todos, ou apenas mais uma fatia do mercado a ser explorada?

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