VÍDEO: Candidatas do PL promovem barraco e partem para briga em evento pró-Bolsonaro

O episódio recente ocorrido nas dependências do Centro Integrado de Monitoração Eletrônica, no Distrito Federal, transcende a mera crônica policial de uma briga entre candidatas. Quando a política é reduzida a um reality show de baixas ambições, o que observamos é a erosão da própria substância democrática. O confronto físico entre duas figuras que deveriam, em teoria, representar ideais comuns, revela um sintoma de um processo de esvaziamento ético que assola o debate público. A política, quando despida de propósito programático, transforma-se em um ringue onde o capital político é medido não pelo bem-estar social, mas pela capacidade de ocupar espaços a qualquer custo.

Ao observarmos Mariana Naime e Luiza do Clezão trocarem agressões sob o pretexto de um ato de apoio, percebemos a exaustão de um modelo de militância que confunde engajamento com ocupação de palanque. O que deveria ser um exercício de solidariedade torna-se um campo minado onde o narcisismo eleitoral se choca com a dor alheia. A pergunta que se impõe não é apenas sobre quem começou a disputa, mas sobre por que a esfera pública permitiu que a gestão da memória de traumas nacionais fosse reduzida a um verniz de marketing eleitoral. O cidadão, ao assistir a tal espetáculo, é empurrado para um cinismo paralisante, onde a política deixa de ser a arte do possível para se tornar a arte do descarte do outro.

Este racha, embora ocorra dentro de um mesmo espectro partidário, sinaliza o colapso de uma coesão que, por muito tempo, foi sustentada apenas por uma identidade de oposição, e não por um projeto sólido de nação. Quando a necessidade de autoafirmação individual sobrepõe-se à estratégia coletiva, o resultado é o canibalismo político. A longo prazo, esse fenômeno enfraquece as instituições, pois substitui o debate de ideias pela gestão de conflitos interpessoais. Estamos diante de uma política que não constrói pontes para a sociedade, mas barricadas dentro dos próprios comitês de campanha.

O fato de a Polícia Civil do Distrito Federal ter sido acionada para mediar uma contenda eleitoral através de boletins de ocorrência e exames de corpo de delito atesta a falência do diálogo. A utilização de uma tragédia pessoal, como a perda de um familiar em decorrência dos fatos do 8 de janeiro, como munição em uma discussão de campanha, é um retrato cruel da falta de limites no cenário atual. O descaso com a dignidade da dor alheia é o preço final de um sistema que incentiva que cada eleição seja tratada como uma guerra de sobrevivência, e não como um processo de escolha civilizatória.

Em última análise, o episódio no Distrito Federal é um espelho que reflete o distanciamento entre o que se promete nas redes sociais e a prática visceralmente desordenada nos bastidores. Enquanto a política brasileira insistir em ser uma disputa de ego, os problemas reais do país continuarão relegados ao segundo plano, perdidos entre socos, empurrões e notas oficiais de desculpa que soam vazias. A verdadeira crise que enfrentamos não é apenas de representação, mas de humanidade; enquanto não houver um resgate da civilidade no trato com o adversário, qualquer tentativa de reconstrução democrática estará condenada a repetir o seu próprio fracasso.

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