
A recorrente constatação de que a política de comunicação no programa do Presidente Lula permanece fragmentada e excessivamente orientada por uma ótica econômica é, para nós, mais do que uma observação; é um alarme estridente. Essa abordagem negligencia o que realmente torna a comunicação um pilar central para a democracia e a soberania: seu caráter estratégico, cultural e, acima de tudo, seu poder de moldar a percepção da realidade e a coesão social.
Por que essa fragmentação persiste? A resposta reside, talvez, em uma inércia histórica e na dificuldade de se desvencilhar da lógica mercantil que permeia o setor. A comunicação, vista primariamente como um negócio ou ferramenta de marketing, perde sua dimensão de direito fundamental e de espaço vital para o debate público. O foco no hardware e na infraestrutura, embora necessário, ofusca a necessidade premente de uma visão estratégica para o conteúdo e para a pluralidade de vozes.
Na vida do cidadão comum, essa visão míope se traduz em um ecossistema midiático dominado por poucos atores, perpetuando narrativas homogêneas e, muitas vezes, descontextualizadas. O acesso à informação diversificada, crítica e que realmente represente a multiplicidade cultural e regional do país torna-se um privilégio, não uma regra. O que assistimos, lemos e ouvimos cotidianamente é filtrado por interesses que nem sempre se alinham com o bem-estar social ou com o aprofundamento democrático.
As consequências a longo prazo dessa falha estratégica são severas. Uma sociedade que não garante a pluralidade e a diversidade na comunicação é uma sociedade vulnerável à desinformação e à polarização. Sem mecanismos robustos que promovam a representatividade e o contraponto, a própria base do debate democrático se enfraquece. Vemos o risco de o cidadão comum se tornar um mero consumidor passivo de notícias, incapaz de discernir matizes ou de construir um senso crítico fundamentado.
É vital que o campo progressista, e a gestão do Presidente Lula em particular, compreenda que defender a democracia sem uma estratégia sólida para a comunicação é como tentar construir uma casa sem alicerces. Não se trata apenas de regular o mercado ou de expandir a conectividade; trata-se de investir na capacidade da sociedade de se informar, de se expressar e de se reconhecer nas diversas mídias. A comunicação não é um apêndice, mas o próprio tecido da vida pública moderna.
Nós precisamos de uma política que encare a comunicação como um campo de disputa cultural, onde a soberania nacional e a pluralidade de ideias sejam defendidas ativamente. Isso exige coragem política para enfrentar oligopólios, promover a mídia pública e comunitária, e fomentar a alfabetização midiática. Só assim poderemos garantir que as vozes de todos, e não apenas de poucos, ecoem na arena pública, fortalecendo nossa democracia e a riqueza de nossa identidade coletiva.
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