BA: 1ª igreja do país dedicada a Santo Antônio celebra dia 13 de junho

Neste sábado (13), a Paróquia e Santuário de Santo Antônio Além do Carmo, em Salvador, encerra as homenagens ao Santo, iniciadas no último dia 31 de maio. A data também marca os 430 anos da igreja.

Os festejos religiosos da Bahia dedicados ao primeiro santo do ciclo junino estão entre os mais antigos do país.

Neste 13 de junho, Dia de Santo Antônio, a programação começa na madrugada, às 5h30, com a tradicional alvorada. Em seguida, de 7h a 12h, acontecem cinco celebrações eucarísticas. Às 15h30 será celebrada a tradicional Missa Festiva, seguida de Procissão.

A organização dos festejos também preparou a Trezena Campal em frente ao Santuário com a benção de Santo Antônio para o primeiro jogo do Brasil na Copa. Às 19h, será feita no santuário a tradicional Bênção do Pão um dos momentos mais aguardados pelos devotos.

Além da programação religiosa, os festejos movimentam o bairro com eventos culturais, gastronomia típica e feira de artesanato. E quem for ao Largo de Santo Antônio e à Ladeira do Boqueirão poderá apreciar os painéis “Antônios”, em exposição até o dia 10 de julho.

A Paróquia de Salvador é considerada a primeira igreja dedicada a Santo Antônio no Brasil, além de ser uma das mais antigas do país, fundada nos últimos anos do século XVI.

O Santo nascido em Lisboa em 1195 e falecido em 13 de junho de 1231, em Pádua, na Itália, também foi o primeiro padroeiro da capital baiana, sendo substituído em 1686 por São Francisco Xavier. Mesmo assim, a devoção ao santo só cresceu na capital baiana ao longo dos séculos, nomeando ruas, igrejas, escolas e o Forte histórico, vizinho do Santuário.

Caminhar pelo Além do Carmo nestes dias de celebração é exercitar uma arqueologia da memória, onde o tempo parece suspender o seu curso habitual. Quando observamos os 430 anos da paróquia, não estamos apenas celebrando uma estrutura de pedra e argamassa, mas um locus de resistência cultural que sobreviveu à transitoriedade das épocas e das modas. A permanência da fé em um mundo que se fragmenta na velocidade das redes digitais é, por si só, um ato de profunda subversão silenciosa.

O santo de Lisboa, cuja efígie atravessou oceanos para se enraizar na baianidade, personifica uma ponte entre o sagrado europeu e o misticismo tropical. Percebo que, ao abençoar o pão e os fiéis enquanto o Brasil se projeta na tela da Copa, a comunidade local reafirma que o profano e o transcendental habitam o mesmo bairro, a mesma ladeira e o mesmo coração. A celebração é um lembrete de que a nossa identidade coletiva é tecida não com o fio de eventos isolados, mas pela repetição consciente dos ritos que nos definem como povo.

Interessante notar como a transição do padroeiro oficial da capital baiana, ocorrida séculos atrás, não diminuiu o fervor popular, mas o deslocou para uma esfera de intimidade ainda maior com a figura de Antônio. Ele deixou de ser uma autoridade eclesiástica para se tornar um vizinho presente, aquele a quem se recorre em confidências cotidianas. Ao preservar o passado, o Santuário não se torna um museu estático, mas um organismo vivo que respira a cada alvorada e a cada prece compartilhada no Largo, mantendo viva uma chama que, teimosamente, recusa-se a apagar.

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