Em Portugal, líder de instituto para América Latina defende mais apoio a jovens

Ao celebrarmos as três décadas da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, somos levados a questionar se a diplomacia lusófona tem sido, de fato, um terreno fértil para as novas gerações ou apenas um palco de celebrações formais. A fala de Paulo Neves, à frente do Instituto para a Promoção da América Latina, ao colocar o jovem como protagonista político e diplomático, toca em uma ferida aberta de nossas instituições: a gerontocracia que ainda dita o ritmo das decisões globais. Não se trata apenas de abrir espaço para que jovens falem, mas de entender que a visão de mundo daqueles que nasceram na era da transição digital é fundamental para a sobrevivência de um bloco que precisa se reinventar.

O diálogo entre a diáspora lusófona, mediado pelo Ipdal e pela Cplp, revela uma mudança de paradigma. O jovem contemporâneo não busca mais o assento em uma mesa de negociações por status, mas pela urgência de pautas que o sistema tradicional, muitas vezes burocrático e lento, insiste em tratar com negligência. A política deixou de ser um fim para tornar-se uma ferramenta de sobrevivência e inovação. Quando ouvimos que a juventude enriquece a diplomacia, estamos, na verdade, reconhecendo que nossa política externa precisa de uma injeção de pragmatismo e de uma conexão real com as redes globais de conhecimento que transcendem as fronteiras dos Estados-nação.

O que essa articulação em Cascais nos ensina é que a língua portuguesa, longe de ser apenas um resquício histórico ou cultural, pode ser o vetor de um soft power eficiente e dinâmico. No entanto, o risco é que esses fóruns permaneçam no campo do discurso inspiracional se não houver um compromisso estrutural com o fomento às capacidades dessas novas lideranças. A transformação real exige que o poder saia da zona de conforto e aceite o risco da incerteza que a inovação juvenil traz consigo. Sem esse salto, corremos o perigo de ver a Cplp se tornar um museu de boas intenções em um século que exige, acima de tudo, agilidade e adaptação.

Consequências a longo prazo dependem inteiramente de como absorveremos essa juventude agora. Se o apoio aos jovens for apenas uma estratégia de marketing político, veremos uma fuga de cérebros e um desinteresse crescente pela agenda lusófona. Contudo, se integrarmos esses jovens aos processos de decisão, poderemos ver uma revitalização inédita da cooperação internacional, focada em tecnologias, sustentabilidade e direitos humanos. A juventude não é o futuro da diplomacia; ela é a única possibilidade viável de presente para uma comunidade que deseja se manter relevante em um mundo multipolar e em constante ebulição.

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