Ações em rede fortalecem a comunicação pública nos estados, enquanto a EBC retoma lentamente sua participação social

Há algo de intrinsecamente melancólico na observação das idas e vindas de um projeto nacional, especialmente quando ele se manifesta na esfera da comunicação pública. O Brasil, um país de dimensões continentais e diversidades infindáveis, necessita de canais que ecoem as vozes de todos, sem as distorções dos interesses comerciais ou políticos imediatos. É um ideal que, frequentemente, se choca com a dura realidade da descontinuidade.

Testemunhamos, com certa consternação, como a recuperação institucional da EBC, que deveria ser um farol nesse cenário, se arrasta. A descontinuidade na gestão da empresa pública e as limitações inerentes aos seus comitês internos parecem criar um ciclo vicioso de inércia, frustrando não apenas quem trabalha por dentro, mas sobretudo a sociedade civil que a observa e dela depende.

Nesse panorama, um paradoxo se descortina: enquanto percebemos que ações em rede fortalecem a comunicação pública nos estados, evidenciando uma efervescência e capacidade de articulação local, a instância federal, que por sua própria natureza deveria orquestrar e catalisar esses esforços em uma dimensão macro, encontra-se em um ritmo de recuperação que nos obriga a questionar sua eficácia.

A retomada de um projeto nacional de comunicação pública não é apenas uma questão burocrática; é um anseio profundo da sociedade civil. Ver esse anseio esbarrar repetidamente em obstáculos internos, em uma gestão que não consegue imprimir a agilidade necessária ou em comitês cujas deliberações se perdem no labirinto da administração, gera um sentimento de oportunidade perdida, de um potencial que jaz inexplorado.

Quando se diz que a EBC retoma lentamente sua participação social, há uma implicação de que essa participação foi, em algum momento, suspensa ou minimizada. Essa lentidão não é um mero atraso no calendário; é a representação da dificuldade em reconectar uma instituição com seu propósito fundamental, em reativar os canais de diálogo e de serviço que a justificam perante a nação.

É uma reflexão sobre a resiliência das instituições e a persistência da memória. Quantas vezes um projeto é iniciado, desmantelado e precisa ser "retomado" do zero, perdendo não apenas tempo, mas uma valiosa experiência acumulada? A cada interrupção, o tecido da confiança se rompe e a energia dedicada a construir é desviada para a tarefa de reconstruir o que já existiu. Isso nos convida a pensar não apenas na gestão momentânea, mas na visão de longo prazo para as estruturas que sustentam nossa esfera pública.

O verdadeiro desafio, portanto, reside em transcender as contingências políticas e administrativas para construir uma base sólida e inabalável para a comunicação pública. Uma base que resista às mudanças de governo, às descontinuidades e às limitações, permitindo que a voz plural do Brasil ecoe de forma consistente e democrática, sem depender da boa vontade ou da velocidade de uma retomada que se anuncia sempre lenta.

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